De apenas work para mãe e, por fim, Mãe at Work

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Cinthia e as filhas Eva e Aurora. Foto: Arquivo pessoal, reprodução Mãe At Work

Procurei algumas formas de abrir essa entrevista. Geralmente, o recomendado é apresentar o entrevistado com um perfil básico, que contextualize o leitor.  Mas, me desculpem as regras jornalísticas, meus professores e o mentor Nilson Lage, eu não consegui seguir a linha jornalisticamente correta. Não quero correr o risco de ser superficial, porque a Cinthia me inspirou. (meu deus, estou usando primeira pessoa! Rasguem o meu diploma).

Cinthia Dalpino é a idealizadora do “Mãe at Work” que, mais do que é um site, é uma causa. A jornalista tem levantado a bandeira, há anos, da adequação das atividades maternas e a vida profissional da mulher.  Ela trabalhou durante algum tempo com a apresentadora Ana Maria Braga, que além de chefe, foi uma importante incentivadora da Cinthia.

Foi quando teve a primeira filha que a Cinthia começou viver alguns conflitos e questionamentos sobre ser a super profissional e querer ser a super mãe. A história dela é inspiradora, vale a pena conferir aqui ó. Hoje, ela se define como, Cinthia Dalpino, mãe da Eva e da Aurora, profissional, ghost writer, escritora e sonhadora.

E foi com essa figura transformadora para mim que tive o privilégio de bater um papo, mesmo que virtual. Dá uma olhadinha na entrevista.

Diploma de Mãe: Cinthia, você acha que as empresas em um contexto mundial, já estão se movimentando para aderirem modelos que ajudem suas profissionais que são mães?

Acho que os demais países estão mais atentos à questão da maternidade, porque entendem que a mãe tem um papel importante na sociedade de formar novos cidadãos. Vemos alguns movimentos nesse sentido também de iniciativas em que provam que a satisfação do colaborador é maior quando ele se dedica a atividades pelas quais é apaixonado, fora do ambiente de trabalho. Talvez o futuro trará a flexibilidade através desse caminho.

Diploma de Mãe: Você comenta que sentiu culpa quando colocou a Eva na escolinha. Do que você se culpava nesse momento?

De ter colocado uma criança no mundo e não estar mostrando o mundo a ela. De deixar uma criança de um ano o dia todo longe dos pais. De não estar sendo a mãe que eu gostaria de ser. Sentia culpa porque meu coração dizia que era muito mais importante naquele momento ficar com ela e formar aquele ser humano, e eu não estava atendendo esse pedido do coração. Por N motivos.

Diploma de Mãe: Durante sua trajetória e escolhas que vez, você sentiu preconceito das pessoas?

Acho que não é preconceito a palavra. Talvez minhas atitudes tenham causado um certo estranhamento. Largar uma profissão onde eu estava no auge, com uma boa posição, invejada por colegas de profissão, não parecia sensato. As pessoas estranharam quando viram uma pessoa que era tão workaholic assumida, se voltar para o outro lado e querer ser mãe em tempo integral. O limbo social veio depois, quando fiquei em casa com ela. Aí senti uma completa solidão.

Diploma de Mãe: Você usa bastante o termo delegar. Como isso funciona na maternidade?

Mães têm dificuldade de delegar. Acham que só elas têm o manual de instruções da criança. O que é um erro, porque cada um tem um jeito de cuidar, e a criança é capaz de ser cuidada por terceiros. Sejam parentes ou colaboradores. Por muito tempo eu tinha dificuldade de delegar até mesmo para o pai delas, e ficava com tudo para mim. “Deixa que eu faço dormir, deixa que eu dou o jantar”, e assim vamos começando numa sobrecarga sem fim, porque só percebemos que estamos sobrecarregadas quando começamos a apontar culpados por isso. Nós mesmas muitas vezes criamos nossas próprias armadilhas. Não deixamos a criança com ninguém e depois falamos “essa criança não sai do meu pé”.

Uma rede de apoio é fundamental. Avós, tios, todo mundo pode entrar na jogada. Isso é bom para a família, e para a criança.

Cinthia e as filhas no Programa Mais Você, com a atinga chefe Ana Maria Braga. Foto: reprodução do site Porta Mostra de Ideias


Diploma de Mãe: Você fala que hoje parece que só existem duas opções na vida de uma mãe que trabalha fora: ou você larga tudo e fica com o bebê, ou você se mata de trabalhar e não tem tempo para criança. Em sua opinião, qual é o meio termo dessa realidade?

O ideal seria que comportássemos nossas duas vidas numa só. Parássemos com essa loucura e percebêssemos que somos humanos e podemos ter as duas coisas na vida e uma não extingue a outra. Entendendo que o trabalho pode ter seu momento, e os filhos podem ter seu momento Tudo isso cabe numa vida. Uma mãe que faz algo que gosta profissionalmente, por exemplo, se sente realizada quando chega em casa e vê a criança. É diferente se ela está infeliz com o trabalho ou se está o dia todo em casa frustrada por não estar trabalhando. Cada uma acaba encontrando esse equilíbrio através da dor, infelizmente, que se torna insustentável quando pendemos para os extremos.

Diploma de Mãe: O empreendedorismo materno é uma saída para muitas mulheres que buscam conciliar a carreira com a maternidade. Qual seria sua dica para uma mulher que não se enxerga empreendendo, mas gostaria de dedicar mais tempo aos filhos?

Acho que empreender requer um perfil. Não é toda mulher que tem esse perfil, muito menos que pode empreender. E empreender requer um investimento de tempo muito grande. Então pode ser um tiro no pé, porque essa mãe vai perceber que saiu do trabalho, mas que pelo menos fora ela conseguia produzir, e sozinha não. Sou favorável que a mulher que não se enxergue empreendendo procure buscar alternativas primeiro dentro do próprio escopo de trabalho, renegociando horários e conquistando flexibilidade.

Se as mulheres, que são a grande força no mercado de trabalho, começarem a pautar o mercado de trabalho, pode haver grandes mudanças. Porque somos muitas. E o mercado já enxergou que não é a grande sacada perder essa mão de obra tão qualificada. Por outro lado hoje existem uma serie de profissões que podem ser facilmente tocadas por home office, dentro do digital principalmente. Tem que explorar essas opções dentro da profissão. Abrir os horizontes pode também ser uma alternativa fantástica.

Diploma de Mãe: Em que momento nasceu o Mãe at Work? 

Num workshop na 99jobs, com a coach Carol Nalon. Foi num momento em que eu não sabia o que fazer, e a Alana Trauczynsky, do Recalculando a Rota, disse ‘se você tem um problema, não vai descer o Messias para te ajudar. Esse problema pode estar na sua vida para você resolver para você e para os outros. Bingo! Foi aí que tive a ideia de compilar esses dados e entrevistar mães, apontando caminhos e inspirando outras mulheres a encontrarem caminhos.

Diploma de Mãe: Qual é o principal objetivo do Mãe at Work?

Apontar caminhos, mostrando transformações, inspirar mulheres, questionar modelos vigentes, mostrar que é possível e principalmente, trazer a pauta à tona.

Diploma de Mãe: Antes de você engravidar você tentava imaginar como seria sua rotina Trabalho X maternidade? Ou isso foi algo que você deu conta após a gravidez?

Nem imaginava o que era a vida de mãe. Era completamente alucinada pelo meu trabalho

Diploma de Mãe: Com quantos anos você teve suas filhas e qual é sua idade agora?

Eva nasceu quando eu tinha 28, Aurora com 31, agora tenho 34

Diploma de Mãe: Nas suas andanças e pesquisas, qual foi o modelo motherfriendly mais bacana que você viu? 

Uma empresa na Europa que dá suporte para a família no primeiro ano de vida e dá a opção de trabalho remoto para os pais, fazendo com que o casal se engaje na criação dos filhos.

Diploma de Mãe: Você acha que a maternidade integral é nociva para a mulher?

Acho que cada mulher deve decidir por si mesma o que a faz feliz. Nocivo é se submeter a algo que não se quer, para estar dentro de um padrão ou ser aceito, ou agradar alguém. Quando somos fiéis a nós mesmas, a criança está bem. Quando ficamos nessa dualidade, a criança sente e fica sem entender que mãe é essa, e onde ela está. Onde estiver, a mulher tem que estar de corpo e alma. Algumas mulheres se encontram na maternidade e percebem que o cuidado com os filhos as preenche. Outras não conseguem focar apenas nesse aspecto e sentem necessidade de se realizar em outros aspectos da vida. Nocivo é ser infeliz. Seja trabalhando full time sem ver filhos ou em casa reclamando da vida.

Foto: Arquivo pessoal. Reprodução Mãe at Work











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