“Livre-se das culpas. Provavelmente você está fazendo o melhor que pode”

12:47


Por Isabela Vidal - 



Profissional dá dicas que podem ajudar mamães que também apostam na carreira

Foto: arquivo pessoal

Aliar a carreira profissional e maternidade. Esse é um desafio que impacta mulheres que desejam ser mães sem abrir mão completamente da carreira. Muitas optam por seguir o ritmo de vida anterior, encarando uma jornada pesada de oito horas (ou até mais!) de trabalho diário. Mas há aquelas que querem continuar sendo produtivas profissionalmente, porém acompanhando mais de pertinho a rotina e o desenvolvimento de seus bebês. Mas como unir as duas vontades sem sacrificar nenhuma delas? 

Para a chilena e moradora de São Paulo desde um ano idade, Sabrina Wenckstern, 32 anos, a resposta foi EMPREENDER. A dona do Materna S/A encontrou no coaching voltado para maternidade e carreira a chave para harmonizar a nova rotina de mãe e a sua vida profissional.

Formada em administração de empresas, Sabrina trabalhou durante oito anos na área de treinamento corporativo, onde realizava workshops, congressos e seminários voltados para o público de Recursos Humanos. Durante esse período, a administradora tinha uma rotina de trabalho bastante intensa, que incluía horas extras frequentes e eventuais viagens. 

Mas, ao ser surpreendida com a gravidez, Sabrina repensou essa rotina. No momento em que a Isabela, hoje próximo de completar três anos, nasceu, foi, segundo ela, muito assustador: “Eu estava vivendo o conto de fadas da maternidade durante a gestação, preocupada com berço, decoração do quarto, fotos... e pouco parei pra pensar no que isso ia representar na questão de abrir tempo e espaço que um bebê necessita na nossa vida”, conta.

Foto: Arquivo pessoal


Com a chegada da filha, Sabrina decidiu sair da empresa em que trabalhava. E, faltando três dias para o fim da licença maternidade, quando Isabela tinha quatro meses, a administradora pediu demissão do emprego e resolveu empreender. Ainda com muitas dúvidas sobre o que fazer, a recente mãe decidiu começar com uma loja virtual de itens para bebês. “Por falta de conhecimento na área, o negócio não teve sucesso”, afirma.

Mas a busca pela produtividade e independência financeira não parou. Sabrina começou a trabalhar como consultora de marketing, após identificar essa necessidade dos grupos em que frequentava quando o assunto era maternidade e trabalho. A segunda tentativa deu um retorno financeiro, porém ainda não trazia realização profissional para a empreendedora. Foi então que, após uma experiência com uma cliente, despertou para a possibilidade de trilhar um outro caminho.

Como já tinha experiência e conhecimento em processos de coaching, Sabrina decidiu retomar esse trabalho como principal atuação. “Me reciclei, tirei uma nova certificação e, a partir de então, comecei a atuar auxiliando essas mulheres a equilibrar esses dois papéis, o de profissional e o de mãe”, conta. E assim nasceu o Materna S/A, um negócio voltado principalmente para o empreendedorismo materno.

Para Sabrina, uma das formas de se realizar pessoalmente é por meio do trabalho, e a coach acredita que é plenamente possível conciliar o trabalho formal, seja ele qual for, e a maternidade. Durante o processo de coaching, é traçado um plano de ação para que essa mulher possa conduzir a própria vida de acordo com o que ela acredita que deve ser feito e não baseado no que a sociedade diz que se deve fazer. “É preciso ser honesta consigo mesma e definir onde ela quer chegar e como vai estruturar essa caminhada”, destaca. É dessa forma que Sabrina busca auxiliar essas mulheres.

Para as mães que têm vontade de empreender, é preciso ter coragem e força, principalmente porque o começo pode ser difícil. “O maior desafio para uma mãe empreendedora é, geralmente, o fato dessa mulher ser uma profissional solo. Então, ela precisará dominar áreas diferentes do seu negócio (marketing, finanças, logística...) e ainda cuidar do bebê. No início, isso pode ser bem assustador”, explica. 

Mas Sabrina tem um conselho para as mulheres que lidam com essas dificuldades: Livre-se das culpas! “Muitas das vezes as suas culpas são o que te impedem de ser o que você quer ser. Muito provavelmente, você está fazendo o melhor que pode”, encoraja a coach que acredita que sempre é possível melhorar, mas não se deve martirizar pelas situações. “Quando a gente se livra da culpa, temos clareza para tomar as melhores escolhas para a nossa vida”, diz.

Contar com uma rede de apoio é também essencial para que seja possível o equilíbrio. No caso da Sabrina, ela conta com o marido e pai da Isabela para dividir as responsabilidades, além de um coworking familiar. Enquanto está no escritório, no mesmo prédio a filha está brincando com outras crianças sob a supervisão de cuidadoras, o que facilita os encontros durante o dia de trabalho.

Mas esse não deveria ser um privilégio somente para as mamães empreendedoras. Sabrina acredita também que as mulheres que não têm esse desejo de ter seu próprio negócio deveriam ter a oportunidade de trabalhar próximo do filho sem, necessariamente, abrir mão do emprego. “A gente precisa criar essa batalha para que as empresas entendam que a mulher pode sim ser produtiva mesmo tendo um filho e que, em alguns momentos, ela vai ter que demandar”, conta. 

Foto: Arquivo pessoal

Uma dica da coach para as mães que não querem enveredar para o empreendedorismo é: repensar sua rede de apoio. Será que é possível colocar o filho numa escola próximo ao trabalho e negociar para que o almoço seja com ele? Há a possibilidade de negociar nos primeiros meses uma redução de carga horário ou até home office? Essas questões podem ajudar nesse processo.


Quando o assunto é sonho, Sabrina é enfática. Para ela, é emergencial que as relações de trabalho e maternidade tenham grandes mudanças nos próximos anos. “É preciso rever os nossos formatos de trabalho, principalmente quando se trata de pessoas que têm filhos”.Uma licença maternidade maior para que pais e mães possam dividir as responsabilidades e para que as mulheres tenham tempo de passar pelos primeiros momentos de vida do bebê seria uma boa iniciativa. Medidas como essa trazem qualidade de vida e permitem aos pais voltarem ao trabalho com maior capacidade produtiva, o que não acontece atualmente.

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